Lauro de Freitas e a política das cores: quanto custa pintar a cidade a cada gestão?
Em Lauro de Freitas, a cada troca de governo, não muda apenas o comando político — muda também a identidade visual da cidade. Amarelo na gestão de Márcio Paiva, vermelho na administração de Moema Gramacho, azul agora sob a prefeita Débora Régis.
O problema não é a cor escolhida. O problema é o custo dessa troca constante.
A conta que raramente aparece
Cada nova padronização visual envolve despesas concretas:
- Repintura de prédios públicos
- Substituição de fachadas e placas
- Novas adesivações de veículos oficiais
- Reformulação de uniformes escolares
- Reimpressão de materiais institucionais
- Criação de novas logomarcas não oficiais
Não se trata apenas de tinta. Trata-se de contratos gráficos, comunicação visual, confecção de banners, envelopamento de frota, atualização de papelaria oficial e readequação digital.
A soma disso pode representar milhares — ou até milhões — de reais ao longo de um mandato, dependendo da escala das alterações.
E a pergunta central permanece: qual a necessidade técnica para essa mudança?
Logomarcas paralelas e identidade fragmentada
Outro ponto crítico é a criação de logomarcas que não correspondem aos símbolos oficiais do município. Em vez de consolidar uma identidade permanente baseada na bandeira e no brasão da cidade, cada governo lança sua própria “marca”.
Isso cria uma fragmentação institucional:
- A cidade deixa de ter uma identidade contínua
- O patrimônio público passa a refletir o governo da vez
- A cada quatro anos, a estética anterior é praticamente apagada
O resultado é um ciclo de substituição constante — e de gastos recorrentes.
Dinheiro público ou satisfação política?
Quando uma nova gestão altera completamente cores e identidade visual, é legítimo questionar: estamos diante de necessidade administrativa ou de satisfação política?
Se houvesse uma logomarca oficial única e cores institucionais permanentes — baseadas exclusivamente nos símbolos do município — grande parte desses custos poderia ser evitada.
Os recursos poupados poderiam ser direcionados para:
- Saúde
- Educação
- Infraestrutura
- Manutenção de escolas
- Medicamentos
- Pavimentação
- Segurança urbana
Em um cenário de demandas crescentes e orçamento sempre limitado, cada real investido em estética governamental é um real que deixa de ser investido em políticas públicas essenciais.
O ciclo da tinta e o desperdício silencioso
O que se observa em Lauro de Freitas não é um episódio isolado, mas um padrão histórico: cada gestor redesenha a cidade conforme sua paleta política.
Amarelo.
Vermelho.
Azul.
O patrimônio público vira tela de transição eleitoral.
Sem uma identidade visual permanente e institucionalizada, a cidade continuará pagando a conta da vaidade cromática de cada governo.
E enquanto a tinta muda, os problemas estruturais permanecem.
A pergunta final é inevitável:
quantas escolas poderiam ser reformadas com o valor gasto para repintar a cidade a cada mandato?

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