Tenóbio chama mulher de "vagabunda" sem identificá-la na primeira sessão após presidente da Câmara ser preso acusado de agredir uma mulher

 


A primeira sessão da Câmara Municipal de Lauro de Freitas na manhã desta quarta-feira (1), após a prisão do vereador Juca, investigado por um caso de agressão contra uma mulher, foi marcada por um discurso que expôs uma contradição.

Durante sua fala, o vereador Tenóbio defendeu que Juca tem direito à presunção de inocência e ao devido processo legal, afirmando que ninguém deve ser condenado sem provas ou antes da decisão da Justiça.

Na mesma sessão, porém, chamou uma mulher de “vagabunda” e de “ladra de condomínio”, sem revelar sua identidade e sem apresentar qualquer prova pública que justificasse as acusações. Também atacou a imprensa, chamando jornalistas de “vagabundos”.

A principal contradição está no próprio discurso. Ao defender que um investigado não pode ser julgado antecipadamente, Tenóbio utilizou a tribuna para atribuir a uma mulher um insulto e uma acusação grave, sem identificar quem era a destinatária e sem exibir documentos, imagens ou qualquer elemento que sustentasse suas afirmações.

Outro ponto chama atenção pelo contexto. A fala ocorreu justamente na primeira sessão após um episódio de grande repercussão envolvendo violência contra a mulher, amplamente noticiado por emissoras de televisão, rádios e portais de notícias. Esperava-se que o debate fosse marcado por mensagens de respeito às mulheres e de responsabilidade institucional.

Em vez disso, a sessão terminou com um vereador defendendo as garantias processuais de Juca, atacando a imprensa e utilizando um dos termos mais ofensivos da língua portuguesa para se referir a uma mulher.

Nenhum dos colegas presentes se pronunciou durante a reunião da Câmara para contestar, esclarecer ou registrar posição sobre as falas feitas em plenário.

A pergunta permanece: quem foi a mulher chamada de “vagabunda” e “ladra de condomínio”? Se havia uma acusação a ser feita, por que ela não foi acompanhada da mesma exigência de provas e do mesmo respeito ao devido processo legal defendidos para o caso Juca?

Essa é a principal contradição do discurso apresentado na tribuna da Câmara.


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